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a revolta das palavras

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o que as sondagens não sondam…

Janeiro 13, 2022

fio de beque

declaração de voto

sou uma empresária de sucesso. os lucros da minha empresa permitem-me distribuir dividendos pelos membros do conselho de administração e pelos diretores de serviços, atribuir prémios aos trabalhadores e até pagar salários acima do que está convencionado. voto no psd, ou, se tiver um pingo de consciência solidária, no ps.

sou uma empresária de sucesso. os lucros da minha empresa permitem-me distribuir dividendos pelos membros do conselho de administração, pelos diretores de serviços, prémios aos trabalhadores e até pagar salários acima do que está convencionado. mas não gosto de emigrantes e sou xenófoba. voto no chega.

sou uma empresária de sucesso. os lucros da minha empresa permitem-me distribuir dividendos pelos membros do conselho de administração, pelos diretores de serviços, prémios aos trabalhadores e até pagar salários acima do que está convencionado. gosto da natureza e sou defensora dos animais. voto indiferentemente no psd, no ps ou no pan.

sou uma empresária de sucesso. os lucros da minha empresa permitem-me distribuir dividendos pelos membros do conselho de administração, pelos diretores de serviços, prémios aos trabalhadores e até pagar salários acima do que está convencionado. voto no cds porque sou católica e gosto de algumas coisas que o papa atual diz, embora considere um exagero a questão dos abusos sexuais vinda a público.

sou uma empresária de sucesso. os lucros da minha empresa permitem-me distribuir dividendos pelos membros do conselho de administração, pelos diretores de serviços, prémios aos trabalhadores e até pagar salários acima do que está convencionado. mas acho que há alguma coisa que está mal com os outros e quero ajudar quem mais precisa. pelo sim, pelo não, voto no be.

não sou empresária, mas sou colaboradora de uma dessas empresas. ou então pertenço a um estrato social, cultural e económico que não tem nada a ver, mas o que eu queria mesmo era estar lá e ter também uma casa de campo, uma de praia, um iate, um campo de golfe, uma praia particular e um mordomo. não há nenhum impacto em termos de intenção de voto porque voto exatamente nos mesmos partidos que os acima mencionados.

não, não sou empresária nem colaboradora de nenhuma dessas empresas. estou à espera do partido que defenda de forma clara valores solidários e que se comprometa com políticas de promoção da igualdade entre os cidadãos.

estou à espera do partido que se posicione de forma clara, assumindo políticas que se comprometam de forma inequívoca com a concretização dos objetivos de desenvolvimento sustentável – agenda 2030.

enquanto isso não acontece, assisto a debates, uns mais politicamente corretos do que outros, mas todos imbuídos de uma demagogia que me dá, umas vezes simples dores de barriga outras vezes náuseas e vómitos.

todos querem passar a ideia falaciosa de que gerir um estado é algo para apenas alguns iluminados que recebem esse poder de diferentes deuses, consoante a ideologia do mercado dos seus valores.

gerir um estado mais não é do que gerir de forma macro um sistema empresarial ou familiar.

eu recebo x, tenho as despesas fixas y e z de euros para gastar consoante as minhas prioridades. posso, em cada mês, optar por poupar, ou gastar o z em roupa, restaurante, cinema, livros, …

o estado, cujo orçamento depende dos nossos impostos, depois de cumprir com os compromissos, também tem z para dedicar aos mais diversos setores públicos: sns, educação, segurança, transportes, comunicações, tap, bancos…

tap, serviço público? eu só viajei uma vez de avião e não considero que seja algo de absolutamente essencial, porque, hoje em dia, a maioria das coisas que se precisam de fazer podem ser feitas à distância (para isso existe a internet).

bancos? sim, tenho um empréstimo à cgd (única forma de ter adquirido uma casa) cuja prestação pago religiosamente todos os meses. há outros bancos para quê?

estas curtas e “ingénuas” considerações servem para dizer que, enquanto não existir um partido que me faça sair para a rua porque apresenta ideias concretas para acabar com a fome, com a pobreza e com os sem abrigo involuntários, voto no partido que, não sendo o meu partido, é o que mais se aproxima das necessidades mais básicas dos meus concidadãos.

não sou comunista, não partilho de muitas das ideias expressas no seu programa, mas, entre todos os que li, é o partido que mais garantias dá aos mais desfavorecidos de que no parlamento votará a favor das leis que vão ao encontro das necessidades de quem tem menos voz e contra as leis que favorecem quem já tem mais do que precisa.

futuramente, espero ansiosamente votar no partido que ouse pedir-me mais impostos, ou parte do meu salário, para que quem não tem nada, ou tem menos do que precisa, possa ter uma perspetiva de futuro e um caminho mais suave para percorrer esta vida que passa a correr e termina de forma democraticamente igual para todos.

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